Aí eu casei (e conheci a cozinha – ou mais ou menos isso)

Já cansei de falar o quanto minha vida mudou. E acho que uma das maiores mudanças está relacionada à cozinha (e ao fato de eu mal ter entrado nela antes do casamento). Este foi o assunto do  segundo post que publiquei lá n’As Balzacas. Nele conto sobre a minha (quase inexistente) experiência na cozinha. Alguém se sentiu assim também?

Contei no último post (este aqui – depois dá uma olhadinha, vai!?) que me casei em outubro do ano passado. E que nunca fui muito prendada. Sem brincadeira. Fora o brigadeiro (que nunca fiz desde que casei) e o bolo verde (que eu amo de paixão!), não sabia fazer nada. Nem arroz. Sério! (e é até feio eu escrever isso aqui, bem depois de um post de uma, como diria Ronnie Von, “grand chef de cuisine”, mas é verdade, fazer o que?).Na verdade, nunca tive interesse. Minha mãe, apesar de odiar ter que ir pro fogão, faz isso muito bem. E meu irmão (quatro anos mais novo) sempre gostou de cozinhar. Lembro dele adolescente fazendo receitas. Vontade que nunca tive (acho que puxei pro meu pai – mais palpiteira que qualquer outra coisa). E também, graças a Deus nunca precisei. E nem imaginava que um dia fosse. Afinal, vivo de frango e salada muito bem (quem lê, pensa! hahahahaha). Marido sempre elogiou minhas saladas. E frango eu também sei fazer.

Falando em marido, tive muita sorte. Meu marido é assim como meu irmão. Adora cozinhar, inventa receitas e tudo o que faz fica bom. Sempre brincamos que ele cozinharia e eu lavaria a louça. Nada mais justo: já que ele vai preparar a comida, não me custa nada lavar a louça. Mas eu não contava com alguns poréns, como a meia dúzia de panelas sujas, a dezena e meia de talheres usados, todos os respingos do fogão, a pia engordurada e o chão (de porcelanato branco) com manchas escuras. Isso só pra preparar a comida! Às vezes dá um desânimo só de pensar na quantidade louca de louça que vai sobrar no final.

E agora você deve estar pensando: “ela está reclamando, mas bem que poderia aprender”. Verdade. Poderia mesmo. Mas confesso que várias vezes em que tentei o resultado não foi tão positivo. Arroz queimado ou comida sem sabor foram algumas das consequências. Engraçado mesmo é que o Felipe, meu marido, vira e mexe reclama que eu não cozinho, mas toda vez que falo que vou pra beira do fogão, ele já se posiciona à minha frente. Mesmo quando vou fazer algo pra mim. Como se houvesse um medo escondido, sabe? De acontecer alguma coisa, de queimar, explodir, não sei… Fica difícil compreender.

Mas de vez em quando é preciso enfrentar seus demônios e ir à luta. Aí lá vou eu jogar no (santo) Google. Olho pra um milhão de coisas e não me encontro. Como se aquilo fosse uma questão de estatística avançada. E o engraçado é que não tenho ideia do que fazer. Muitas vezes fico vendo um monte de menina recém-casada postando no Facebook ou Instagram as fotos dos pratos que elas fazem. Ou montando cardápios elaborados pra algum almoço ou jantar. Só existe gente prendada nesse mundo? Fico pensando que nasci com o gene errado. Algumas acham até estranho que eu não goste de cozinhar. E não saiba. E não faça. Como se eu fosse uma péssima esposa por isso. Como se eu fosse um ser único, de outro planeta. Às vezes até eu acho. Mas aí passa. E volta novamente, em momentos de crises existenciais.

Segui conselhos de algumas meninas e comprei aquele livro grandão da Dona Benta, sabe, que no começo custava mais de 100 reais e hoje em dia você encontra por 19,90? Fiz uma única receita até hoje. Uma berinjela. Eu amei! Minha salada ficou sensacional com ela. Ele nem provou! Maior trabalheira pra isso? Fiquei desanimada. E ainda tem outra coisa: eu não tenho vontade de comer as coisas que eu faço. Parece que demora tanto tempo que eu perco a vontade. Como o dia em que eu resolvi fazer um creme de mandioquinha. Maior frio, pesquisei receita, fui ao supermercado, comprei os ingredientes e o negócio virou um caldinho. Mandei whatsapp na hora pra uma amiga cozinheira de mão cheia (nunca experimentei nada, mas se for 1/10 do que é bonito, pelo que vejo no IG, ela tá feita!). Só de olhar a foto ela disse que eu tinha colocado pouca mandioquinha. “Mas, Mari, coloquei o que a receita mandava!”. Ela perguntou: “Qual o tamanho da mandioquinha?”. Eu disse:”Pequena”. “Ah, então é isso”. Ela viu a foto do caldinho e me deu a solução. E o pior de tudo? Funcionou. Lógico que eu tive que desligar tudo, voltar ao supermercado e continuar a receita depois. No final, fiz um creme de mandioquinha em duas horas e meia. Tá bom pra você? Depois não sabe por que eu não cozinho… Ah! E tem mais: não ficou nem parecido com o da minha mãe… Maior decepção. Mas o Fê disse que gostou. Fofo, né?

E aí a gente fica assim. Já estou no meu segundo livro de receitas (e você lembra que eu disse que nunca tive interesse, né?), tenho um painel no Pinterest chamado “Comidinhas” (me segue lá: Christiane Teixeira Zboril) e vou colecionando itens preparados: arroz, legumes com shoyu, shimeji (ficou bom demais! Mas o Fê também não comeu – ele não gosta muito!), berinjela, purê de legumes (minha primeira invenção), o tal creme de mandioquinha e os básicos: omelete, ovo mexido, filé de frango, carne, bolo verde, gelatina e salada. Com muitas variações. Pode parecer pouco, mas pra quem não sabia nem ligar o cooktop, tá muito bom!

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