Efeito sanfona (antes e depois do casamento)

Nunca fui uma pessoa gorda. Também nunca fui magérrima. Menstruei cedo e por esse motivo meu corpo ganhou forma super cedo também. Quando era criança, era uma das últimas na fila por altura. Depois dos 12, era uma das primeiras da fila. Ouvi, por muito tempo, um monte de gente falar: “Nossa, mas você sempre foi maior que eu…”. Pois é.

Por ser baixinha (tenho – bem medidos! – 1,51m – mas meu marido fala que eu roubo nesses centímetros), meu quadril é o principal alvo das gordurinhas – coisa com a qual não me preocupei até os 19, 20 anos. Me mantinha nos 48kg fácil. Até chegar a faculdade, o estágio, almoçar fora, ficar o dia inteiro na rua e ficar mais velha.

A idade pegou muito pra mim. Senti uma diferença muito grande no meu metabolismo a partir dos 24 pra 25 anos. Se antes eu engordava um pouquinho, na terça falava que ia emagrecer e ia ANDAR na esteira e perdia tudo pra caber NAQUELE vestido na festa do final de semana. E dava certo!

Hoje em dia, se eu quiser emagrecer, pode começar com uns meses de antecedência. Foi isso que eu fiz para o casamento. Meu maior peso de todos os tempos foram 59kg. Pra um ser minúsculo de 1,51m, isso é o equivalente a dizer que eu era gorda. Sim, eu era.

Faltavam 10 meses pra eu me casar e foi depois que eu a vi, grande, no computador, que bateu um medo. Eu seria uma noiva gorda. Ai, que feio! (e aqui friso: pra mim, tá? Isso é opinião pessoal: eu não queria ser uma noiva fora de peso!). Não queria ter que passar o resto da minha vida lamentando o fato de que eu podia ter tentado emagrecer e não o fiz.

Em fevereiro, aos 29 anos de idade, 59kg, comecei uma dieta. Mas era uma dieta fajuta. Daquelas que valia qualquer coisa no final de semana (porque noivo quer sair e diversão de paulistano é comer e beber). Comecei a andar na esteira, mas claro que não tinha muito resultado. Baixava pra 57kg. Ia pra 58kg. E ficava variando nisso.

Não lembro se foi em dezembro de 2011 ou janeiro de 2012, vi no blog Vestida de Noiva um projeto muito legal chamado Noiva em Forma. A Carina Rosin, personal, oferecia um programa completo de exercícios e dieta com promessa de resultados. Entrei em contato, toda empolgada, com a Carina. Mas, infelizmente, não deu certo daquela vez.

Mantive o contato com a Carina e acabamos ficando mais próximas. A Cá foi sensacional comigo, me deu um treino super legal (um circuito sensacional que me fazia transpirar horrores! Eu terminava podre o treino! Mas muito feliz!) e eu me mantive nele. Também comecei uma dieta forte, dada pela Karyna Pugliese, nutri que trabalha com a Cá. Com várias restrições. Algo que nunca tinha feito na vida, descobri ali, naquele momento. Aquilo, sim, era uma dieta.

Comecei a treinar e a “dietar” no final de abril. Em julho, quando fiz a minha primeira prova do vestido, já estava com 52kg. Mas pra mim ainda não era suficiente. Meu vestido era tomara que caia e eu tinha pavor das gordurinhas nas costas. E elas existiam em mim. Lembro que liguei pra Carina chocada com a imagem que eu via refletida no espelho. Praticamente às lágrimas, eu resmungava: estou gorda! O que eu faço? A Cá falou: calma, dá tempo! Faltavam dois meses e meio e alguns quilos. Eu queria chegar aos 48kg (meu peso quando conheci o Fê, aos 20 anos). Mudei a dieta (que ficou mais restritiva ainda – por ser a dieta do desespero), mas não aguentei por muito tempo. Por isso, voltei pra primeira dieta, com a qual eu já tinha me adaptado. Aqui faço rápido parênteses pra dizer que eu não fazia o Noiva em Forma. Ou seja, a Cá não ia treinar comigo, ela me dava uma espécie de consolo-amigo, uma supervisão. Ficava pedindo resultados, me dando forças mesmo. No dia do casamento, pesava 48kg. Aquela bundinha das costas tinha desaparecido e na última prova, tiveram que apertar (muito) o vestido. Eu juro que não acreditava!

Fiz drenagem, modeladora, fiz dieta, execício, comecei a fazer exercício aeróbico. Corria na esteira. Mas ainda era pouco. Conseguia alguns minutos de corrida, intercalado a alguns minutos de caminhada. Pra mim, que nunca tinha conseguido nem correr 1min seguido, estava ótimo.

No dia do casamento, estava feliz. Feliz comigo, com o peso. Com o fato de ter alcançado o objetivo. Lembro que mandei uma mensagem pra Carina contando aquela que era, pra mim, uma proeza. Foi legal sentir que ela estava orgulhosa de mim. Mas legal ainda era ver o quanto eu estava orgulhosa de mim.

O casamento passou (voou, na verdade), viajamos para um paraíso, com comida e bebida à vontade e não é necessário dizer o quanto fugi da dieta. Por incrível que pareça, a palavra “jaquei” ainda não estava a moda (o que aconteceria alguns meses depois – engraçado pensar no quanto as coisas mudaram no mundo virtual de outubro do ano passado pra cá!).

Engordei três quilos na viagem e mais quatro, cinco em São Paulo, casada. Foi nesse momento, de tanto ouvir marido falando que eu devia ir pra academia (que ele faz, by the way, e que é do-lado-de-casa), resolvi me matricular. Nunca fui chegada em academia. Exceto pelo ano passado, quando fazia tudo na academia do prédio, sozinha, nunca levei isso a sério. Me matriculei e desisti várias vezes. Incontáveis. Mas era hora de tomar vergonha na cara. Até porque já tinha trintado há alguns meses. E o metabolismo, meu amor, reconhece quando você trinta.

Por incrível que pareça, estou gostando da academia. Sinto a maior falta quando não vou. E vejo a diferença no meu corpo. Faço dieta (aliás, desde o ano passado, vivo em dieta, principalmente durante a semana – e confesso que nem lembro mais como era viver sem estar em dieta. Friso aqui que estar em dieta é evitar pães, refrigerante e muitos doces. Durante a semana. Porque confesso que meu final de semana é mais liberado. Muito provavelmente esse é o motivo do meu eterno efeito sanfona. Emagreço durante a semana e engordo no final de semana. Tenho uma espécie de aposta com uma amiga e nos pesamos toda segunda-feira. Uma forma de nos lembrarmos que não podemos jacar tanto no final de semana. A Bibs, a amiga que falei, já emagreceu muito! Até este momento em que escrevo, já tinham ido 7kg. É visível a diferença. Eu emagreci pouco, mas sinto que a gordura está diminuindo. As medidas, principalmente.

(E rápido parênteses: confesso que ocasionalmente deixo de levar a academia tão a sério. Às vezes uma gripe dura mais do que alguns dias para a academia. O hábito de ir acaba ficando distante na memória e acordar cedo é tãaaao difícil pra mim. Mas tudo passa. Pra ser bem sincera, esta é uma semana dessas. Mas amanhã prometo voltar.)

Muita gente me diz que de nada adianta ser toda regrada no final de semana e se acabar no final de semana. Verdade. Mas em partes. Quer dizer, pra mim não há problema. Lógico que eu gostaria de ser mais magra e vestir manequim 38, mas a que custo? Comer é muito bom! Tomar um vinho com o marido, uma cerveja com os amigos, melhor ainda. Por que se privar disso?

Meu sonho não é ter o corpo considerado perfeito. Não quero ser bombada e com barriga trincada. Mas admiro quem sonha com isso e vai atrás. É polêmico, eu sei. Mas sou feliz desse jeitinho. Sabe? Aos trancos e barrancos, mas que vai dando certo. Vai demorar mais, não vou ser aquela menina com 10% de gordura. Mas se você é feliz assim, por que mudar? Acho que cada um vai atrás dos seus sonhos. O meu é só diminuir o excesso de gordura e aproveitar o final de semana.

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