Arrumado ou bagunçado? (e depois de trabalhar, chegar em casa e encontrar tudo do mesmo jeito que você deixou)

Já falei sobre minha (não) experiência na cozinha (não leu? leia aqui, vai!). Agora é hora de falar sobre limpeza. Aliás, acho que esses foram os maiores choques de realidade que tive, assim que me casei. Afinal, se a minha experiência na cozinha era nula, que dirá na área de serviço! Assim que voltei de lua de mel (e só tive oito dias – contando com o dia do casamento – porque tinha acabado de mudar de emprego), fui almoçar com duas amigas (Vivi e Kamis) que me ajudaram muito! De verdade, nem sei o que teria feito sem elas nesse início de nova fase em minha vida. Conheci as duas naquele ano mesmo. No novo emprego. E depois de algum tempo senti que seriam amigas da vida toda. E falo “depois de algum tempo” porque, como boa escorpiana, sou uma pessoa desconfiaaada. Pra ter uma ideia (e confirmar aquilo que eu já tinha concluído), no dia do meu casamento, perderam o sapato da minha sogra. A cerimônia atrasou em quarenta minutos porque minha sogra não tinha o que calçar! E ela não ia entrar descalça, né? Não achavam de jeito nenhum e pra tentar solucionar o caso (e pro casamento começar finalmente), passaram de banco em banco (na igreja!) perguntando se alguém calçava 37, e foi a Kamis quem emprestou o sapato. E ela assistiu à cerimônia descalça! Fala se essa não é lembrança pro resto da vida? (rápido adendo, isso foi só mais uma das coisas que deram errado no casamento. Se você tiver um tempinho e quiser ficar em leve choque, a história completa está aqui.

De qualquer forma, elenquei um monte de perguntas e falei sem fim, e com cara de quem não faz a menor ideia do que esteja fazendo: como eu uso a máquina de lavar? Com que periodicidade eu lavo roupa? E a separação das roupas (fora clara e colorida)? E o banheiro, como lavo? E o chão de porcelanato branco, como faço para deixar sempre limpo? Coisas desse tipo. Ridiculamente básicas, mas que eu não sabia! Foi nesse momento também que recebi uma das dicas mais legais (by Vivi): um tal de “rabo quente”.

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O nome é bem estranho (pra não falar indecente), mas o uso é fácil e o efeito, maravilhoso. A função do “rabo quente” é esquentar a água e, com isso, ele tira as manchas e o encardido de roupas que estão de molho. E funciona! Hoje em dia, já nem uso tanto o tal “rabo quente” porque consegui adaptar a ideia. Como ganhamos de casamento uma chaleira elétrica (sensacional!), esquento água na chaleira e jogo no balde, aí não preciso do aparelhinho (e tome cuidado se você for usar: nunca tire o aparelho da água enquanto ele estiver conectado à tomada – o cheiro de queimado sobe na hora). Mas, independente de como você for fazer, a dica da água quente é fantástica! Nas primeiras semanas de casada, comecei a ficar maluca com a arrumação e limpeza. Meu marido brinca (ou fala sério?) que eu tenho TOC. Talvez tenha mesmo. Mas é que eu não aguento ver louça suja, almofada fora do lugar, um monte de coisa espalhada, caixas pra tudo quanto é canto. Não consigo deixar para depois. Talvez isso seja apenas uma mania de arrumação. Tipo a (chata) da Neura, da (maldita) propaganda daquele produto que eu nem lembro qual é.

Bom, mas tudo isso é pra dizer que o começo foi difícil. Eu achava que a casa tinha que estar impecável todos os dias e eu me matava até uma hora da manhã lavando e passando roupa, lavando louça, passando pano no chão, tirando pó. E eu via que o trabalho nunca acabava. E o pior? É que se você não faz, ninguém fará por você. Sempre continuará lá. Aí está o grande choque. Porque você sabe disso, é óbvio. Mas eu não tinha a real noção. Porque não é como na casa da sua mãe (ou da minha, no caso), em que tudo se materializava em seu devido lugar e estava impecável quando você voltava do trabalho. A cama tem que ser arrumada, as coisas têm que ser organizadas e se você não passar roupa, as consequências serão duas: 1. a pilha só vai aumentar; 2. você não terá o que usar dentro de alguns dias. É triste esse começo. Perceber que o trabalho não tem fim. Mas, novamente, nem posso reclamar tanto porque o Fê me ajuda muuuuuito!

Mas com o passar do tempo, a fase inicial, de choque, vai indo embora. Acho que fui me entendendo com a máquina (e nesse ponto tive muita ajuda do marido – ele de novo! – que já tinha morado sozinho e sabia muito bem se virar. Muito melhor que eu, by the way). Passei a descobrir a utilidade e uso de diversos produtos de limpeza, passei a organizar melhor meu tempo e as tarefas a serem executadas. Aliás, uma coisa que nos ajuda muito é uma lousa que tenho na cozinha (comprada para a photo booth do casamento e que não foi utilizada no dia).

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Ela é pequenininha, mas ótima. Nela colocamos desde lista de supermercado (sabe aquelas coisas que acabam no meio da semana e você não consegue chegar ao final de semana sem?) até tarefas a serem executadas: de pagar uma conta até lavar a alface. Coisas assim. Na verdade, como trabalhamos em horários diferentes (muitas vezes quando eu acordo, ele já saiu faz tempo. Em outras, quando eu saio, ele ainda está dormindo), deixamos recadinhos um pro outro também, tipo essa aí embaixo (dele), depois de um final de semana não tão light… Fiz também muitas pesquisas na internet. Passava, às vezes, tardes de domingo inteiras lendo sobre o assunto (marido trabalha na maioria dos domingo). Hoje em dia, quando a Jucineide vai em casa (nossa faxineira compartilhada: indicação de um amigo do Fê, ela vai também na casa dos meus pais, de uma amiga minha, e de uma amiga de uma amiga minha – mas a mulher é boa!) fico só observando e perguntando como ela faz ou qual a melhor opção. Aos poucos, você vai ficando… não digo “craque”, mas “despachada”, digamos assim. Já sei que no piso laminado posso passar água com detergente; que na coifa, no cooktop e no forno, só pano e álcool; tenho o maior cuidado com a separação das roupas; tenho datas certas para trocar roupa de cama e banho; sei que inox, acrílico e teflon só pode lavar com o lado amarelo da esponja (pra não riscar! E, pra irritação do meu marido, repito o mantra da minha mãe: “se riscar, perde o teflon e teflon riscado pode jogar no lixo!); que com Vanish, detergente e água quente posso salvar o mundo das manchas (até tirar mancha de vinho!), que a linha Mr. Músculo é fantástica e por aí vai. Nunca imaginei que isso fosse ser possível (assim como nunca pensei que plantas pudessem sobreviver na minha casa), mas dá pra levar a vida assim. Assim e com Jucineide uma vez a cada 15 dias. Afinal, todo mundo sobrevive, por que comigo seria diferente?

Aí eu casei (e conheci a cozinha – ou mais ou menos isso)

Já cansei de falar o quanto minha vida mudou. E acho que uma das maiores mudanças está relacionada à cozinha (e ao fato de eu mal ter entrado nela antes do casamento). Este foi o assunto do  segundo post que publiquei lá n’As Balzacas. Nele conto sobre a minha (quase inexistente) experiência na cozinha. Alguém se sentiu assim também?

Contei no último post (este aqui – depois dá uma olhadinha, vai!?) que me casei em outubro do ano passado. E que nunca fui muito prendada. Sem brincadeira. Fora o brigadeiro (que nunca fiz desde que casei) e o bolo verde (que eu amo de paixão!), não sabia fazer nada. Nem arroz. Sério! (e é até feio eu escrever isso aqui, bem depois de um post de uma, como diria Ronnie Von, “grand chef de cuisine”, mas é verdade, fazer o que?).Na verdade, nunca tive interesse. Minha mãe, apesar de odiar ter que ir pro fogão, faz isso muito bem. E meu irmão (quatro anos mais novo) sempre gostou de cozinhar. Lembro dele adolescente fazendo receitas. Vontade que nunca tive (acho que puxei pro meu pai – mais palpiteira que qualquer outra coisa). E também, graças a Deus nunca precisei. E nem imaginava que um dia fosse. Afinal, vivo de frango e salada muito bem (quem lê, pensa! hahahahaha). Marido sempre elogiou minhas saladas. E frango eu também sei fazer.

Falando em marido, tive muita sorte. Meu marido é assim como meu irmão. Adora cozinhar, inventa receitas e tudo o que faz fica bom. Sempre brincamos que ele cozinharia e eu lavaria a louça. Nada mais justo: já que ele vai preparar a comida, não me custa nada lavar a louça. Mas eu não contava com alguns poréns, como a meia dúzia de panelas sujas, a dezena e meia de talheres usados, todos os respingos do fogão, a pia engordurada e o chão (de porcelanato branco) com manchas escuras. Isso só pra preparar a comida! Às vezes dá um desânimo só de pensar na quantidade louca de louça que vai sobrar no final.

E agora você deve estar pensando: “ela está reclamando, mas bem que poderia aprender”. Verdade. Poderia mesmo. Mas confesso que várias vezes em que tentei o resultado não foi tão positivo. Arroz queimado ou comida sem sabor foram algumas das consequências. Engraçado mesmo é que o Felipe, meu marido, vira e mexe reclama que eu não cozinho, mas toda vez que falo que vou pra beira do fogão, ele já se posiciona à minha frente. Mesmo quando vou fazer algo pra mim. Como se houvesse um medo escondido, sabe? De acontecer alguma coisa, de queimar, explodir, não sei… Fica difícil compreender.

Mas de vez em quando é preciso enfrentar seus demônios e ir à luta. Aí lá vou eu jogar no (santo) Google. Olho pra um milhão de coisas e não me encontro. Como se aquilo fosse uma questão de estatística avançada. E o engraçado é que não tenho ideia do que fazer. Muitas vezes fico vendo um monte de menina recém-casada postando no Facebook ou Instagram as fotos dos pratos que elas fazem. Ou montando cardápios elaborados pra algum almoço ou jantar. Só existe gente prendada nesse mundo? Fico pensando que nasci com o gene errado. Algumas acham até estranho que eu não goste de cozinhar. E não saiba. E não faça. Como se eu fosse uma péssima esposa por isso. Como se eu fosse um ser único, de outro planeta. Às vezes até eu acho. Mas aí passa. E volta novamente, em momentos de crises existenciais.

Segui conselhos de algumas meninas e comprei aquele livro grandão da Dona Benta, sabe, que no começo custava mais de 100 reais e hoje em dia você encontra por 19,90? Fiz uma única receita até hoje. Uma berinjela. Eu amei! Minha salada ficou sensacional com ela. Ele nem provou! Maior trabalheira pra isso? Fiquei desanimada. E ainda tem outra coisa: eu não tenho vontade de comer as coisas que eu faço. Parece que demora tanto tempo que eu perco a vontade. Como o dia em que eu resolvi fazer um creme de mandioquinha. Maior frio, pesquisei receita, fui ao supermercado, comprei os ingredientes e o negócio virou um caldinho. Mandei whatsapp na hora pra uma amiga cozinheira de mão cheia (nunca experimentei nada, mas se for 1/10 do que é bonito, pelo que vejo no IG, ela tá feita!). Só de olhar a foto ela disse que eu tinha colocado pouca mandioquinha. “Mas, Mari, coloquei o que a receita mandava!”. Ela perguntou: “Qual o tamanho da mandioquinha?”. Eu disse:”Pequena”. “Ah, então é isso”. Ela viu a foto do caldinho e me deu a solução. E o pior de tudo? Funcionou. Lógico que eu tive que desligar tudo, voltar ao supermercado e continuar a receita depois. No final, fiz um creme de mandioquinha em duas horas e meia. Tá bom pra você? Depois não sabe por que eu não cozinho… Ah! E tem mais: não ficou nem parecido com o da minha mãe… Maior decepção. Mas o Fê disse que gostou. Fofo, né?

E aí a gente fica assim. Já estou no meu segundo livro de receitas (e você lembra que eu disse que nunca tive interesse, né?), tenho um painel no Pinterest chamado “Comidinhas” (me segue lá: Christiane Teixeira Zboril) e vou colecionando itens preparados: arroz, legumes com shoyu, shimeji (ficou bom demais! Mas o Fê também não comeu – ele não gosta muito!), berinjela, purê de legumes (minha primeira invenção), o tal creme de mandioquinha e os básicos: omelete, ovo mexido, filé de frango, carne, bolo verde, gelatina e salada. Com muitas variações. Pode parecer pouco, mas pra quem não sabia nem ligar o cooktop, tá muito bom!

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